Missionária vive experiência na África

A Missionária Fernanda relata em detalhes como foi sua experiência em Pemba (África)

Por Comunidade Rainha da Paz dia em NOTÍCIAS

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No dia 05 de abril deste ano, a leiga missionária Fernanda de Cássia Leal seguiu para Pemba, na África. Agora, ela nos traz Pemba  por meio de seu olhar e de suas palavras.

Fotos: missionário Leandro - leigo consagrado da Fraternidade O Caminho.

 

UM POUCO DA REALIDADE SOCIAL LOCAL:

A Diocese de Pemba fica localizada na região norte do país e atende toda a região de Cabo Delgado. Pemba é a capital da província e fica a 2700 km de Maputo, capital do país.

A maioria da população vive da agricultura de subsistência, com o plantio de milho e mandioca. O prato típico é a Xima, uma espécie de angu a base de milho branco. Grande parte da população vive nas áreas rurais em casas feitas com material local: bambu, areia e palha. A falta de recursos básicos como água potável, saneamento básico e energia elétrica é um grande desafio social da realidade local.

A região de Cabo Delgado é rica em recursos naturais como o petróleo, gás natural, rubi, titânio, grafite, mas toda essa riqueza não mostra retorno a população. Apesar da terra fértil não há iniciativas do agronegócio na região e nem a existência de cooperativas.

O sistema educacional está em condições precárias: turmas superlotadas com até 80 alunos, muitas escolas sequer possuem sala de aula suficientes, sendo as aulas ministradas debaixo de mangueiras, falta de formação para os professores, a falta de recursos pedagógicos não precisa nem ser dita, a evasão escolar e o trabalho infantil saltam aos olhos.

Nos hospitais faltam médicos e recursos, a falta de saneamento básico e o descarte irregular do lixo contribui com a proliferação de doenças como a febre tifoide, cólera e infecções de todos os tipos, a falta de formação tem como consequência o grande percentual de pessoas com HIV.

UM POUCO DA IGREJA LOCAL:

A Igreja local procura transmitir com o máximo de fervor e fidelidade o anúncio do Evangelho de Cristo e se mostra como a voz que clama em favor do povo, denunciando as injustiças e lutando por dignidade. A igreja tem algumas metas estabelecidas, entre elas: a Centralidade de Jesus Cristo e da Palavra de Deus na vida pessoal e comunitária, a Construção de uma Igreja Diocesana com o rosto próprio e o Compromisso com as situações de injustiça da realidade local, priorizando o grito dos pobres.

Os cristãos de Moçambique têm fome e sede de Deus. O povo de Nangade (região da diocese de Pemba) certa vez chegou a perguntar, o que tinham feito de errado para serem castigados pela falta de presença religiosa no local, essa foi uma das regiões assumida pela CNBB Sul I e será a primeira vez que ocorrerá presença missionária. Os cristãos de forma geral anseiam pelo batismo e pelo Evangelho.

A maioria da população, no entanto, é composta por muçulmanos. O sincretismo religioso é forte, as religiões tradicionais exercem grande influência na população.

 

UM POUCO DA CULTURA LOCAL – POVO MACUA:

Cabo Delgado é composta por três diferentes povos – Macua, Maconde e Mwani, cada um com características próprias. São faladas quatro línguas, além das dos respectivos povos o Suaíli é usado.

O povo Macua, maioria na região em que atuo, é de origem bantu, vindo das migrações do século XI. A tradição popular, porém não aceita essa versão e diz que ter sido criada por Deus das raízes do Baobá.

Na tradição familiar, o homem, quando casa, passa a viver com a família da esposa, mas não tem nenhuma autoridade sobre os seus filhos, só sobre os filhos da sua irmã. No caso o irmão mais velho da mãe, o “Atatá” é a autoridade sobre as crianças. É uma sociedade de estrutura patriarcal e matrilinear e todos são subordinados ao “Mwene”, o rei responsável pelo clã.

Um aspecto que me chamou muita atenção nos Macua é a cultura de perdão, há um provérbio popular entre eles que se diz: Ntata nivanre mahirakhu khaninthikiliya, ninarapihiya (a mão que se sujou no excremento não se corta, lava-se). Não se deve eliminar ou excluir alguém por errar, mas sim, corrigi-lo e reconduzi-lo ao bom convívio social.

As mulheres são as grandes responsáveis pela vida da casa, cuidam das machambas (plantações) plantam, colhem; buscam água nos poços, são as responsáveis pelas crianças e pelos serviços da casa. A ideia de fertilidade é muito forte no povo.

Além disso, é um povo alegre, dançante, de fortes raízes musicais. Têm uma maneira muito particular de compreender família, religião, morte, fenômenos naturais e sociais. Falar sobre a cultura de um povo é sempre muito delicado, há muitas coisas que estão acima da minha compreensão. Essas informações foram oferecidas no curso de enculturação e também observadas no pouco tempo em que tenho estado aqui.

 

MISSÃO DE METORO

A missão de Metoro, na qual fui inserida, é muito bem estruturada e mantida pela Congregação da Paixão de Jesus Cristo (passionistas), mas até junho, quando será assumida definitivamente pela CNBB Sul I.

A região atende 54 comunidades e desenvolve trabalhos pastorais como Pastoral da Juventude, Infância Missionária, Pastoral Familiar, Grupos de oração, Pastoral das Mulheres, além da Liturgia e Catequese.

Na missão de Metoro, são desenvolvidos projetos sociais como uma escola primária e secundária que atende em média 1800 alunos com uma qualidade de recursos acima da média; duas escolinhas de Educação Infantil (cujo o ensino não é obrigatório no país); há também o Projeto Vida que atende crianças desnutridas; um centro de medicina alternativa; e a visitação às minas, esta última por questões de ordem burocrática está paralisada.

 

MINHA EXPERIÊNCIA

A experiência que estou vivenciando aqui está sendo totalmente acima das minhas expectativas. O carinho, a acolhida, o amor por Deus e pela vida, a resistência e a garra desse povo me servem de exemplo e inspiração. Na simplicidade de suas vidas eu vejo o próprio Cristo.

A presença de Deus é um bálsamo nas feridas. Ter uma vida de autêntica doação ao Evangelho de Cristo é a maior alegria que se pode experimentar. Nunca poderei expressar em palavras, por mais que eu me esforce o quanto me sinto feliz e honrada. Deus é generoso, compassivo, misericordioso e me chamou para estar no meio desse povo e deles aprender e a eles ensinar, mesmo na minha pequenez.

O Espirito Santo, Senhor e protagonista da missão sempre nos conduz a viver e ensinar sua mensagem se a Ele abrirmos o coração, quero a cada dia renovar meu Sim e viver todos os dias a Alegria do Evangelho!


Paz e Bem!

Fernanda de Cássia Leal

Leiga missionária na Diocese de Pemba em Moçambique, pelo projeto de Cooperação Interclesial da CNBB Sul I."

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